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Nossa Música

Por Renata Alves

Renata
Renata
Publicado em 28 de julho de 2026 Atualizado em 29 de julho de 2026
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O título parece um plágio de um filme que nunca assisti, mas acredite, não é.

Acompanhando o trabalho da minha referência em escrita, Stela Fiorin, senti vontade de escrever.

Logo eu, que sempre fui boa na argumentação oral, agora me atrevo a registrar uma lembrança da minha vida amorosa.

Sempre fui seletiva.

Não por ser santa ou recatada, mas porque sempre senti demais.

Essa história aconteceu em Aparecida do Taboado, no interior do Mato Grosso do Sul, durante um carnaval da minha adolescência.

Naquela época, os shows aconteciam na praça.

Pausa para uma breve nostalgia...

Sigamos.

Na primeira noite, fiquei pela primeira vez na frente do palco.

Durante uma música do Jota Quest, cujo refrão dizia que o amor poderia estar ao seu lado, nossos olhares se encontraram.

Ele era alto, baixista e absurdamente bonito.

Depois daquele instante, o show nunca mais foi o mesmo.

No intervalo, um rapaz da produção veio dizer que o baixista queria meu telefone.

Fiquei indignada. Na minha cabeça, ele precisava atravessar a praça e falar comigo pessoalmente.

E foi exatamente o que aconteceu.

Ele veio sorrindo, tímido e incrivelmente sedutor.

Conversamos por alguns minutos e ele voltou ao palco.

Combinamos de nos encontrar depois do show.

Foi o show mais longo da minha vida.

Na despedida, nos beijamos.

O problema era simples: aquela também era a última noite de carnaval.

Eu morava em Goiânia. Ele, no Paraná.

Mas havia alguma coisa ali que parecia maior do que a distância.

Vieram as ligações, o MSN, o Orkut, as mensagens de texto.

Vieram conversas sobre a vida, planos, saudades e descobertas.

Na intensidade típica da adolescência, enviei uma enorme cesta de café da manhã para ele.

Até hoje me lembro da frase que ouvi: — Ninguém nunca fez isso por mim.

Foi ali que nasceu a vontade de vê-lo.

Comprei passagens, reservei hotel e contei os dias.

Mas, conforme a viagem se aproximava, percebi que algo mudava.

As respostas ficaram diferentes.

O entusiasmo também.

Poucos dias antes do embarque, veio a frase que eu mais temia: — Renata, acho melhor você não vir.

Estou confuso... e surgiu um show de última hora.

Talvez o show fosse apenas a desculpa mais fácil para dizer que o sentimento já não era o mesmo.

Na adolescência, tudo parece definitivo. Tudo é intenso. Urgente. Fugaz.

Seguimos caminhos diferentes.

Muitos anos depois, durante a pandemia, nos reencontramos pelas redes sociais.

Conversamos por vídeo. Foi bonito perceber que a lembrança ainda existia.

Mas também ficou claro que a vida já havia nos levado para lugares diferentes.

Às vezes, alguns encontros não foram feitos para durar.

Foram feitos para permanecer como lembrança.

Enquanto escrevo estas linhas, nossa música toca ao fundo.

E hoje, sem tristeza, apenas com carinho, percebo que alguns amores não precisam de um final feliz para serem inesquecíveis.

Talvez baste terem existido.

Por Renata Alves

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