O livro da minha vida
Por Renata Alves


Sempre que chegamos em livrarias, existe uma banca com os top 5 de autoajuda.
Nesses livros, você encontra coisas do tipo: “Faça isso e será mais feliz”, “Faça aquilo e seja mais convincente”.
E dentro de cada um, você vai encontrar uma receita fácil e simples.
Por isso, leitores invisíveis, eu resolvi passar a vocês a minha própria receita.
Foi testada e aprovada.
Papel e caneta na mão, que a aula vai começar.
(Sempre quis dizer isso na minha vida.) Hahaha.
Primeiro: acorde às 5h e, assim que avistar o nascer do sol, bata palmas para ele. Porque sim, o rei chegou.
Segundo: faça um café bem forte, vá bebendo devagar e coloque nele suas intenções para o dia.
Terceiro: antes de dormir, liste cinco coisas incríveis pelas quais você é agradecido.
Acho que não, né?
A vida é muito mais complexa do que qualquer livro de autoajuda, vídeo ou papo de coach tentando oferecer a você uma fórmula para a felicidade.
Cada um tem a sua forma específica de viver.
Para mim, uma vida feliz está nas pequenas coisas do meu dia a dia. E levei muito tempo para perceber isso.
O livro da minha vida chegou às minhas mãos em um momento em que eu ainda estava totalmente no raso.
Vivia diariamente no automático e infeliz.
Mas sempre sendo uma humana funcional. Ninguém percebeu.
Com exceção do meu melhor amigo, Gustavo.
Com suas pausas e respiradas, em um dia normal de trabalho, ele disse:
— Renata, vou trazer um livro que você vai adorar.
Eu respondi, despretensiosamente:
— Ah, beleza. Traz mesmo.
Meu primeiro calhamaço — um livro grande e volumoso.
A cada página, aquela história me transbordava e me levava a reflexões que eu jamais imaginei que transformariam tanto a minha vida.
Enquanto leitora, acredito que não é a quantidade de livros que importa, mas quantos deles foram capazes de nos transformar.
E isso, para mim, a literatura consegue fazer com perfeição.
E, de repente, um homem injustiçado, preso por anos, ensinou mais sobre esperança do que centenas de frases motivacionais.
Talvez seja por isso que eu ame tanto os romances.
Eles nunca me dizem o que fazer.
Edmond Dantès me ensinou sobre resiliência sem mandar eu acordar às cinco da manhã para aplaudir o sol.
Apenas me apresentam pessoas que, sem saber, acabam me ensinando a viver.
Toda a sabedoria humana se resume nestas duas palavras:
esperar e ter esperança.
Alexandre Dumas, O Conde de Monte Cristo



