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O ordinário do cotidiano

Por Renata Alves

Renata
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Publicado em 29 de julho de 2026 Atualizado em 29 de julho de 2026
O ordinário do cotidiano

Hoje vivemos em um mundo tão acelerado.

Temos pressa em tudo o que fazemos.

Áudios acelerados no WhatsApp, sair sempre correndo de casa para o trabalho, para dar conta de todos os compromissos diários.

Mas hoje eu parei, porque queria te pedir que pare também.

Onde e em que horário, eu não sei. Só pare e contemple.

Começo meu dia ouvindo passarinhos em bando, cantarolando uma música que não consigo decifrar, mas, na minha mente, sempre cantam com alegria e paixão pela vida.

Antes que eu retire o carro da garagem, os procuro e, como aquele ditado diz: "aquilo que você procura também procura por você", eles estavam juntos e em um lugar fácil, me atrevo a dizer, quase estratégico para que eu os visse.

Parece que só precisamos treinar o olhar para que a magia aconteça.

Ainda no caminho, paro no sinal vermelho e começo a buscar.

Para minha surpresa, encontro de novo.

Dessa vez foi bem curioso.

Eu vi uma mãe com seu ninho no sinaleiro, no espaço entre as luzes do semáforo.

Mas é engraçado como uma coisa remete à outra.

Pensei logo em quantas vezes nós, mães, nos colocamos em situações estranhas para proteger nossos filhos.

Lembrei-me da minha mãe.

Ela tem cuidado de mim de uma maneira tão linda e amorosa que só uma mãe pode fazer.

Depois que meu filho escolheu morar com o pai, a minha rejeição gritou e me lembrou de tanta coisa que faltava na minha vida.

Por muito tempo olhei para a falta: falta de um propósito que, para mim, era a maternidade; falta de um amor para partilhar a vida; falta do meu pai, que faleceu.

Como disse anteriormente, passei a treinar o meu olhar para o que tenho e, sinceramente, tenho tanto.

Tanto da Renata, tanto de mãe, tanto de livros, tanto de disciplina e outros tantos.

Mas isso não quer dizer que dias de angústia e de falta ainda me visitem.

Aprendi que eles passam.

Isso é o paradoxo da vida: dias bons, dias não tão bons.

Desejo a mim e a vocês, leitores invisíveis, que saibamos enxergar a beleza nos detalhes do ordinário que chamamos de vida.

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