Quem é você quando a luz apaga?
Por Renata Alves


Quem é você quando termina todas as suas funções do dia e apaga a luz do quarto para dormir?
Pois é aí, nesse momento, que tudo, absolutamente tudo, emerge.
Seus medos, suas angústias, o que poderia ter feito e esqueceu, por que você continua sem um relacionamento amoroso, as situações que insiste em ruminar e que ainda te machucam.
Essa sou eu.
E você, quem é?
Eu, Renata, acho que sou a mistura de tanta coisa.
Livros que li, filmes que vi e experiências que vivi.
As boas e as más.
Ouvi dizer que as relações também nos definem.
E é a partir daí que vem a frustração de não ter um relacionamento.
Mas olha, leitores invisíveis, estou aberta há tempos.
E sigo melhorando diariamente para estar pronta para esse amor que nunca chega.
Tivemos alguns enganos por aí, mas nada devastador.
Porque, quando se sabe o que realmente se quer viver em uma relação, se algo sai do caminho esperado, você já aperta a corda para descer do ônibus.
No final do dia você sente o peso de todas as decisões que tomou e das que ainda estão em suspense.
Preciso me policiar diariamente para que os pensamentos ruins não me devorem.
Fazer o quê?
Me tornei fã de Emil Cioran e acho esta vida um verdadeiro absurdo, assim como Albert Camus.
Começo a me organizar, me acolher e dizer em voz alta que fiz e faço o melhor que posso.
Tem dias que posso mais, outros nem tanto.
Mas tem funcionado.
Depois dos sentimentos controlados, o bromazepam começa a fazer efeito e tenho ótimos sonhos.
E são eles que, no outro dia, ao pesquisar no Google, me dizem que estou no caminho certo.
Obrigada, Freud, por nos lembrar da importância dos sonhos para a humanidade.
Que a vida é assim mesmo: dias bons, dias não tão bons.
Mas o que acontece aqui, no meu quarto, quando apago a luz, não me define.
O que realmente me define é o que eu faço no dia seguinte.
Nesse sábado solitário escrevo para me organizar e, agora que terminei, vou apagar a luz.



